Os Videos do King_leer, Outono 2016

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

KEVIN CUMMINS - Deixem-me tirar-vos uma FOTO !


Não sei se existe um momento perfeito para capturar uma imagem mas, definitivamente, existe algo ao qual chamamos coincidência. Tinha esta entrevista com o Kevin para publicar à cerca de três ou quatro semanas e resolvi fazer o “post” este fim de semana. O mesmo fim de semana que assistiu ao fim dos Oasis.

Por isso, agora que o espírito de Manchester está bem vivo por aí, é meu prazer apresentar abaixo as palavras do Kevin Cummins o lendário fotógrago que capturou muitos dos melhores momentos da música pop contemporânea. Falamos sobre nomes, ícones, futebol, de Morrissey a Bowie, passando pela arte, pelas drogas e, acima de tudo sobre trabalho.

Espero que gostem. Não se esqueçam de passar uma vista de olhos no final desta entrevista nos links relevantes sobre o trabalho do Kevin

Beijos e abraços

KL

KING_LEER (KL):

Kevin,


Escolhi esta imagam (capa do 40º aniversário do NME) com o Morrissey visto ser ele uma das figuras mais ifluentes da música pop do nosso tempo – minha opinião. Se tivesses que escolher ou elaborar um top 5 das pessoas contemporâneas que consideras melhor se “encaixarem” na tua objectiva quem seriam eles?

KEVIN CUMMINS (KC):

Morrissey, Bowie, Courtney Love, Liam Gallagher, Ian Curtis.

KL:

Qual foi o artista que mais gostaste de fotografar e já agora o pior?

KC:

As melhores pessoas para fotografar são aquelas que conheçem bem a sua imagem e como ficam nas fotos. Dito isto, é um desafio tirar uma foto a quem é francamente tímido. As piores pessoas para fotografar são aquelas que já o foram centenas de vezes. Apenas te dão a sua “imagem fotográfica”. Não te deixam penetrar no seu Mundo.

KL:

Com este “post” pretendo igualmente que os leitores do blog compreendam exactamente o que é a função de chefe de fotografia numa publicação de renome Mundial como o New Musical Express na qual ocupaste esse posto. Como é o dia a dia nessas funções?

KC:

“Erva como pequeno almoço, Jack Daniels e coca para o lanche e cocaína ao jantar….!

KL:

Acredito que cada capa de um disco tem uma história. Podes escolher dois dos teus trabalhos favoritos e explicar-nos o que esteve na base de cada um desses momentos particulares no tempo?

KC:


Esta fotografia é de uma paisagem urbana. A banda é acidental – apesar de crucial – para a composição final. Estou interessado na forma como a fotografia te pode contar uma história. Esta frieza, um tanto ou quanto depressiva, melancólica, explica a essência da música dos Joy Division muito melhor do que 1000 palavras.


MORRISSEY: Outra paisagem urbana mas com um objectivo mais preciso. Reflete a qualidade que na altura eu sentia que as letras de Morrissey tinham.

KL:

Peço-te para partilhares connosco o que o “homem por detrás do espelho invisível” para tantos artistas e personaliades faz hoje em dia, além da fotografia.

KC:

Continuo a tirar fotos. Tenho um livro que será publicado a 3 de Setembro (vejam o site da Faber & Faber para mais detalhes) e vou igualmente inaugurar a 3 de Setembro uma exposição em Manchester durante um mês (vejam o site da Galeria Richard Goodall Gallery). Em Novembro vou estar presente no festival “Crossing Border” em Den Hague e Antuérpia.

KL:

Será este nosso Mundo actual digno de se lhe tirar uma foto? Esta claro, é uma pergunta social. Está por favor à vontade no sentido de responderes da forma que queiras. Problemas sociais, crise global, política, etc ( e tanto aí no Reino Unido como aqui em Portugal actualmente temos tantos casos políticos para discutir…).

KC:

É cada vez mais difícil tirar fotos no Reino Unido. Temos câmaras de vigilância por todo o lado. Temos uma força policial demasiado agressiva. Por outro lado, a população Mundial pensa estar tão ciente do fenómeno media que assume por exemplo que um fotógrafo ganha milhões de euros pelos seus trabalhos – Assim sendo, raramente nos deixam tirar-lhes uma foto – pedindo-nos compensação financeira para tal. Frequentemente nas minhas deslocações tiro fotos para capturar momentos com pessoas desconhecidas e é cada vez mais difícil tirar-lhes fotografias naturais.

Que se passa convosco ? J Deixem-me tirara-vos uma FOTO!! J

KL:

Manchester City - És um grande adepto deste clube, certo? És Anti Manchester United? Que pensas sobre os 94M€ pagos pelo Cristiano Ronaldo? Boa ou má foto?

KC:

Não tenho qualquer interesse no Ronaldo. Não tem qualquer personalidade na sua cara.

Não gosto do Manchester United. Sempre apoiei o Manchester City – o verdadeiro clube da cidade de Manchester.

KL:

Diego Maradona e Juliette Lewis – um casamento feito no inferno. Podes explicar-nos o sentido desta frase?

KC:

Questionaram-me um dia quem gostaria eu de conhecer. Eram duas pessoas que gostaria realmente de conhecer. De seguida, imaginei-os como um casal….Conheci recentemente a Juliette e ela é muito simpática.

KL:

Manchester é provavelmente uma das cidades no mundo onde existem mais bandas de qualidade por metro quadrado.

Quais são as maiores diferenças entre as bandas dos anos 80 e as actuais?

KC:

A Manchester dos anos 80 tinha muitos bairros da Câmara e tinha igualmente dormitórios destinadas a estudantes. As rendas baixas e as rendas subsidiadas permitiam à malta nova passar o seu tempo livre a fumar “erva” e a tocar música. Alguns derivaram para outras formas de expressão artística onde não era necessário ganhar muito dinheiro para sobreviver. Hoje em dia, tudo isso desapareceu. Se és jovem e queres ser músico, precisas do teu dinheiro no início. O som da classe operária no Reino Unido é hoje muito pouco audível.

KL/KC:

Dou-te um nome oriundo de Manchester e tu fazes o teu comentário:

a) Ian Brown: One Love

b) Morrissey: I Wanna be Adored

c) Oasis: Good Times

d) Ian Curtis: Where Angels Play

e) Kevin Cummins: Don’t Stop

f) Vini Reilly: Your Star Will Shine

FIM

Links:

Informação pessoal:

http://www.kevincummins.co.uk/

http://www.myspace.com/kevin_cummins

http://en.wikipedia.org/wiki/Kevin_Cummins_%28photographer%29

http://www.facebook.com/pages/Kevin-Cummins/39124219564?v=info

Publicações e eventos:

http://www.richardgoodallgallery.com/

http://www.faber.co.uk/work/manchester-looking-for-light-through-pouring-rain/9780571233755/

terça-feira, 18 de agosto de 2009

MIKE "MOONSPELL" em entrevista...."Metal Forever!!"




Ora aqui está uma entrevista, curta, mas bastante interessante de fazer com o Mike Gaspar, baterista dos Moonspell. Recebi as respostas já muito em cima um dos último s concertos dos Moonspell em território Nacional antes da tourneé Americana que está nesta altura ainda a decorrer.

O Mike é um excelente parceiro para estas conversas e um comunicador nato. É um exemplo de como essa mesma comunicação entre banda, fãs, imprensa e outros parceiros destas andanças deve ser encarada.

Os Moonspell continuam a ter a sua legião de fãs – sempre a crescer – como pude comprovar no recente concerto inserido nas festas do município da Maia (Maiact).

Espero que apreciem pois como já referi, para mim é sempre um prazer, principalmente tendo em conta que não é o género musical que habitualmente acompanho mas faço por participar e estudar estes “fenómenos” e daí extrair informação para partilhar convosco.

Nota: Quanto à foto, não é meu costume aparecer mas esta foto é de todo “hilariante” e um momento único. Vésperas do concerto do Halloween no Coliseu de Lisboa em 2007. Eu, acabado de terminar o meu dia no Banco, aproveitei a passagem por Lisboa e lá estive a receber as “baquetes” do Mike, na altura oferecidas a um espectador do programa onde eu participava no Porto Canal.

KING_LEER (KL):

Caro Mike,

Se consultarmos o Wikipédia, os Moonspell estão caracterizados como black metal/gothic metal. Qual a definição mais correcta, aquela com que vocês próprios no vosso dia a dia se intitulam.

MIKE “MOONSPELL” (MM):

Bem isso foi sempre um questão muito interessante e as vezes ficando ao ponto de ser ridicularizado devido a tantos rótulos que se dão aos vários tipos de música . Obviamente que o Black metal e o gótico foram grande influencias no inicio da nossa carreira mas também sempre tivemos um estilo próprio e muito distanciado do género devido as nossas origens e costumes que vêem do sul da Europa. Por isso gosto de considerar a nossa música apenas por Moonspell . As possibilidades para a nossa música são intermináveis e assim as barreiras são poucas e a composição tem ganho muito com isso. Sinto me sempre orgulhoso por isso!

KL:

O vosso Verão vai ser em cheio, nomeadamente após este regresso à “Terra Nostra”. Vão de malas aviadas para os EUA em digressão. Até que ponto (mesmo tendo em conta o vosso género musical) é importante estarem ligados a uma editora estrangeira e com “bookings” igualmente estrangeiros. É assim uma diferença tão grande? Para o correcto entendimento dos leitores explica as grandes vantagens desta vossa ligação.

MM:

Essa ligação tem realmente muito a ver com o movimento que pertencíamos na altura. As bandas que admirávamos estava em editora estrangeiras e a fazer digressões constantes pelo o mundo fora. Dificilmente teríamos uma oportunidade em Portugal devido a falta de reconhecimento pelo o público neste estilo de musica e o mercado ser muito pequeno. Apenas bandas Americanas podiam fazer carreira apenas no seu pais mas mesmo assim recorrendo ao publico europeu devido ao excelente apoio e condições.

Muito tem mudado desde então e felizmente podemos ter um mercado nosso em Portugal mas o espírito desta banda foi sempre levar a nossa musica o mais longe possível. E para isso é inevitável trabalhar com estrangeiros. Mas tem sido isso que marca a nossa diferença perante os artistas nacionais. O nosso conhecimento alem fronteiras é muito grande e tem nos moldado numa super banda! Mesmo as vezes não o sentir e estarmos completamente alheios a esta realidade até o ser necessário . Como por ex. estarmos muito descontraídos antes de um concerto como se nada fosse. Mas na realidade estar em palco para nós ou estar numa Bus a viajar é como estar na nossa própria cama! he he .

KL:

Qual o significado da figura da capa do vosso novo álbum (já saiu na Europa mas acaba de ser editado nos EUA) , Night Eternal ?

MM:

A imagem representa a força Feminina. Ela é uma Madona do nosso universo .Este trabalho foi feito pelo o Seth que é o baixista de Septic flesh. Ele sendo Grego compreende perfeitamente a ligação e importância de mulheres nas nossas vidas. Também a frustração de ser mulher no sul com toda a nossa presença machista que ainda hoje se sente e repara se bastante a diferença de mentalidades no norte da Europa. Penso ser das nossas melhores capas de sempre. A beleza e mistério da imagem com um toque religioso é perfeito. A nossa entrega completa pelo o poder da mulher!

KL:

Costumo estudar e falar um pouco sobre as letras de algumas músicas. Sei que é o Fernando que assegura esta tarefa mas, o tema “At Tragic Heights” é composto na sua maioria citando o capítulo 16:2 do livro das Revelações que nos fala das últimas sete pragas lançadas pelos sete anjos. Quem é ela em “She hangs from the sky” ?

MM:

Peço mesmo desculpa mas essa tens mesmo que Perguntar ao Fernando!

KL:

Para terminar, o que podemos esperar do vosso concerto aqui a Norte na Maia? Alguma surpresa reservada? Será o penúltimo em território Nacional antes da partida para os EUA.

MM:

Penso que não porque ainda temos o concerto do Caos Emergente em Setembro . O concerto da Maia já começa a ser um ritual devido a nossa participação no ano passado . A quantidade de gente que compareceu para apoiar Moonspell foi nada do que estávamos a espera! Foi um concerto de sonho que me fazia lembrar os grandes concertos nos anos 80 e principio de 90 no Dramático de Cascais com bandas com Iron Maiden. Onde o Público estava em completo sintonia com a banda. Foi isso que sentimos e nem sempre temos uma reacção dessas! Por isso temos a obrigação de dar ao publico da Maia mais um grande concerto com tudo que têm direito .

Podem esperar um espectáculo de projecções que ainda foi pouco visto em território nacional. A presença das Crystal Mountain que é sempre um prazer dando um toque mágico aos nosso concertos. E sem duvida a entrega completa por parte da banda que tem estado a tocar bastante e com muitas saudades de tocar em casa. Amadora foi excelente e agora mal posso esperar por quinta feira. Vamos rebentar com a malta!!! he he.

Abraços e

“Metal forever”,

FIM.