Os Videos do King_leer, Outono 2016

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

NADEAH MIRANDA - "Coração Selvagem!" no palco e aquela VOZ...!















Agora que estamos na época dos festivais e os media estão direccionados para eles, parece uma óptima oportunidade para relaxar um pouco e publicar esta peça com uma das vocalistas principais dos Nouvelle Vague. Vi a Nadeah ao vivo pela primeira vez o mês passado no SBSR deste ano no Estádio do Bessa. Não era o ambiente perfeito – após o cancelamento do Depecha Mode – mas, esta rapariga trouxe “fogo” ao um local que no passado recente aquecia com os derbies entre o Boavista e o Porto.

Posso sintetizar a performance dela em duas palavras: Presença e Voz!

Iremos ouvi-la brevemente uma vez que estarão de regresso ao nosso País mais duas vezes até ao final de 2009.

Por mim, quero apenas agradecer-lhe pelo seu tempo, pelas fotos que me cedeu e pelo mp3 que está no player do blog para a vossa audição atenta. Pertence ao seu futuro trabalho a solo.

Abaixo, ficam alguns dos links essenciais para saber um pouco mais sobre o trabalho da Nadeah.

http://nadeah.com/

http://www.nouvellesvagues.com/BAND_nadeah.html

http://www.hollywoodmonamour.com/info

KING_LEER (KL):

Nadeah,

Em primeiro lugar deixa-me felicitar-te pela tua fantástica actuação no festival SBSR aqui no Porto na semana passada. Foi a primeira vez que que vi os Nouvelle Vague ao vivo e, apesar de o público tere estado muito calmo no início tu conseguiste “incendiar” o ambiente.

NADEAH MIRANDA (NM):

Muito obrigado. Penso que é normal esse comportamento do público pois provavelmente não conhecem bem a tua música e, por isso mesmo os primeiros momentos são sempre mais calmos. Muitas das pessoas presentes no festival foram mais para ver os Depeche Mode, assim, provavelmente não sabiam o que esperar de nós. Pessoalmente penso que foram uma excelente audiência, muito atenta e divertida à medida que o tempo ia passando.

KING_LEER (KL):

Estás sempre assim tão confortável com este tipo de aproximação que tens com o público? Literalmente foste para o meio da assistência.

NADEAH MIRANDA (NM):

Sim… o mais importante num concerto para mim é fazer a correcta ligação com o público…Se isso significar ir para o meio dele ou puxar as pessoas para o palco ou então fazer ou dizer algum disparate para atingir esse fim, então assim seja. Não há nada pior do que sentir que o público não está contigo, por isso dou o meu melhor para fazer amigos rápido visto termos ambos decidido passar a noite juntos. Como intérprete penso que deves ser tua a dar o primeiro passo visto o público já ter feito a sua parte ao vir ver-te e ouvir a tua música.

KING_LEER (KL):

O teu passado está recheado de projectos e colaborações. Conta-nos um pouco mais sobre as tuas raízes. Quando começaste a cantar?

NADEAH MIRANDA (NM):

Eu tinha cerca cerca de três anos quando me apercebi que queria ser uma cantora. Mas, como era muito tímida para o confessar a alguém e como as minhas notas na escola eram boas, fui dizendo às pessoas que queria ser médica pois soava bem. Tinha doze anos quanto actuei pela primeira vez em público. Foi para representar a minha turma num concurso da escola. No meu liceu havia uma audição anual na qual todos os caloiros tinham que participar. Foi então a minha primeira experiência com o público. Lembro-me que foi como se estivesse a voar e foi talvez a primeira vez que alguém da minha turma me dispensou alguma atenção. Antes dessa audição eu tinha talvez dois amigos mas, logo de seguida todos da turma queriam ser meus amigos…pelo menos durante uma semana.

Quanto aos meus projectos, escrevi a minha primeira canção aos 13 anos de idade….sobre um rapaz, claro. Nessa altura estava mais envolvida com comédias musicais mas, aos 16 anos parei de fazer esses shows, aprendi a tocar guitarra e comecei a escrever canções novamente com pessoas da escola, etc.

Aos 18, fui para a Europa e andei por França e Inglaterra e, desde então tive sempre a minha própria banda…The LoveGods, a principal até agora. Um projecto de rock alternativo em colaboração com guitarrista Francês Art Menuteau.

A mudança para Paris deu origem ao início de várias colaborações, incluindo Marc Collin, Holywood Mon Amour, B for Bang de Katia Labeque e claro, os Nouvelle Vague.

KING_LEER (KL):

A tua colaboração com os Nouvelle Vague teve início no ano passado. Como foi a tua reacção?

NADEAH MIRANDA (NM):

De encanto absoluto. Nessa altura estava a estudar Francês pois provavelmente iria necessitar de falar a língua para arranjar um emprego decente em Paris. Estava quase para desistir da música como trabalho a tempo inteiro. Assim, quando o Marc me convidou para fazer parte dos Nouvelle Vague (ele tinha-me ouvido cantar num clube em Paris no qual actuei a convite de um colega de escola) senti-me como a cantora mais felizarda do Mundo…salva pelo gongo como se costuma dizer.

KING_LEER (KL):

Como é o método de trabalho nos Nouvelle Vague? Como estamos a falar de versões, os arranjos são feitos e depois vocês adicionam as vozes ou tomam igualmente parte no processo de trabalhar esses mesmos arranjos?

NADEAH MIRANDA (NM):

Os arranjos são 100% da responsabilidade do Marc Collin e do Olivier Libaux. As cantoras podem propor canções que pensam serem interessantes de incluir mas, com a “New Wave” não era propriamente o meu género e como os Nouvelle Vague são a “criança” dos dois eu preferi deixa-los à vontade na escolha.

Quanto à gravação do álbum 3 dos Nouvelle Vague, não sei como foi para as outras cantoras, mas para mim, deram-me meia dúzia de versões originais de temas para eu aprender e depois eu, o Marc e o Olivier fazíamos uma “jam session” com essas músicas tentando interpretar vários estilos e diferentes interpretações. A partir do momento que sentíamos que tinhamos encontrado a versão ideal, os rapazes começavam a tratar da gravação e dos arranjos finais. No final, eu regressava e cantava as minhas partes e deixava-os fazer as magias habituais deles. Foi bastante simples.

KING_LEER (KL):

Sobre os teus futuros projectos:

Venus Gets Even – O que esconde este nome do teu projecto a solo?

NADEAH MIRANDA (NM):

O nome tem múltiplos significados. Eu prefiro deixar as pessoas terem a sua própria interpretação sem eu impor todas as minhas interpretações pessoais. Estou certa que as vossas são muito mais interessantes..!

Mas, mesmo que nada signifique, eu gosto do som das palavras “Venus Gets Even”. Gosto igualmente da imagem do planeta do amor ajustar contas com o nosso Mundo…., uma contradição, certo?

Além disso, penso ser mais interessante do que usar o teu próprio nome associado a um projecto

KING_LEER (KL):

“Song I just wrote” é uma demo mas que estive a ouvir no teu site e, é uma canção triste com frases como “…Olho para o meu lado direito da minha cama dupla e lá continuam livros e remédios em vez de ti…” Por outro lado, “At the moment” é um tema em que os blues encontram o som tipo cabaret no qual podemos ouvir na perfeição as tuas excelentes qualidades vocais e as variações que consegues impor numa composição como esta.

Que podemos esperar do próximo álbum?

NADEAH MIRANDA (NM):

Uma mistura bipolar de canções,estilos, emoções e personagens. Eu ficaria aborrecida se assim não fosse e penso que todos nós – humanos – somos tão multi dimensionais que seria uma loucura alguém simplesmente replicar o mesmo som e emoção em cada canção. Como a letra foi inspirada num período de dois meses na minha vida muito intensos e surreais a música tinha portanto que reflectir tudo isso. Os excelentes arranjos são obra do Nicola Tescari, o produtor e pianista neste projecto “Venus Gets Even”, que é um excelente condutor de orquestras, um virtuoso pianista e um compositor clássico. Nunca poderia ter um resultado musical deste nível sem a sua colaboração e obviamente sem um conjunto de músicos de suporte excelentes.

KING_LEER (KL):

Finalmente: Ontem, celebrou-se o 40º aniversário da chegada do Homem à Lua. De todas as músicas que se inspiraram nela, diz-nos qual a tua favorita.

NADEAH MIRANDA (NM):

Vou ter que recorrer ao cliché e dizer que a minha favorita é “Dark Side of the Moon” dos Pink Floyd. Sou uma fã incondicional.




FIM


quarta-feira, 22 de julho de 2009

GARY POWELL - Mr. "Cool Guy" !!



Gary Powell, mais conhecido por ter sido membro dos Libertines, é sem dúvida um caso à parte neste nosso Universo musical. Tive a oportunidade de o conhecer em 2005 num dos últimos concertos dos Libertines em Lisboa. O contacto foi rápido mas desde lá, temos comunicado. É para mim uma grande mais valia ter a oportunidade de publicar esta entrevista que nos dá a conheçer um pouco mais do Gary, do seu passado, dos seus novos projectos e, acima de tudo continuar a “acreditar” que a forma mais fácil de nos entendermos uns aos outros é comunicando de igual para igual.

O Gary foi Pai à muito pouco tempo e, desde já lhe agradeço a sua disponibilidade e desejo “good vibes” para ele e para o filho “Wolf”.

Links relevantes do Gary disponíveis abaixo:

Esperto que esteja ao vosso gosto:

http://en.wikipedia.org/wiki/Gary_Powell

http://www.myspace.com/garyapowell

http://www.dirtyprettythingsband.com/


KING_LEER (KL):

Eu vi a entrevista que deste ao “one eyed monster” e nela algo chamou a minha atenção. É-te difícil entender o burburinho que se gera à volta das estrelas de Rock, - “É cool mas não entendo” afirmas tu. Quando te conheci em 2005 fiquei com uma ideia que o tempo soube confirmar e num recente jantar aqui no Porto com o produtor Jake Fior ouvi novamente esse “chavão”: O Gary é o “cool guy”, aquele que mantem o low-profile. É assim tão difícil para ti lidar e compreender certas partes do que é estar inserido numa banda e, ainda por cima super badalada?

GARY POWELL (GP):

Não é assim tão difícil manter o field a balança entre ser um artista e ser igualmente um homem como outro qualquer na rua – aliás é bom conseguir fazer essa diferenciação. Ajuda a que, de cada vez que subo ao palco, esse acto seja um momento especial em vez de estar sempre visive apenas de uma forma. Qualquer pessoa que faça algo de creativo na sua vida e que tenha uma carreira que dependa desse factor tem sempre um ego. O truque é saber controlar o mesmo. Usa o teu ego para o bem e não para o mal, como eu prefiro dizer. Ao mesmo tempo ter o conhecimento de que por tocar numa banda não me faz ser melhor do que os outros é importante – e, para ser honesto, conheci pessoas que não fazem nada em termos artísticos que me impressionaram muito mais do que qualquer estrela de rock.

(KL):

Começaste como músico muito cedo e ainda no Canadá se não estou em erro. Fala-nos um pouco do teu passado e das tuas influências artísticas. Quais são verdadeiramente as raízes musicais do Gary Powell?

(GP):

Começei a tocar em casa dos meus Pais quando viviamos em Birmingham. Tive a sorte de ter uns Pais que me incentivavam a ser criativo – desde que as notas na escola se mantivessem niveladas! A minha verdadeira aprendizagem no entanto, começou no Canadá numa organização em Kitchener Ontario sobre a instrução de Brent Montgomery and Rod Meckley. Eles fomentaram a minha leitura e ensinaram-me o básico na interpretação. Depois, rumei a New Jersey e fui ensinado por Tom Aungst nos cadetes de Bergen County. Ele e Willy Higgins colocaram em forma as minhas mãos e mente e, se não fosse por eles eu não teria as capacidades que tenho hoje em dia.

O que tornou tudo ainda mais interessante e proveitoso foi que o que me ensinaram na altura nada tem a ver com a forma como lido com a bateria hoje em dia. Ensinaram-me uma visão mais global da música visto tocarmos jazz contemporâneo ou tendências mais clássicas. O que falei atràs, ajudou-me a desenvolver o apetite por uma música mais obscura e diferentes formas de tocar. A partir daí, tornei-me um percussionista freelancer de volta à Inglaterra e por cerca de um ano, findo o qual regresso aos EUA para ensinar el alguns locais, nomeadamente na St. Mary’s area high school na Pensilvânia. Foi preciso esperar até ao fim dos anos noventa para eu tocar algo que se possa denominar popular. Mas, por essa altura os meus variados gostos musicais já se misturavam na minha biblioteca musical, desde John Adams aos Wire.

(KL):

Como os Dirty Pretty Things são passado, quais são actualmente os teus principais projectos?

(GP):

Desde o fim dos DPT formei a minha própria banda e estou a escrever eu todas as músicas (até agora). É uma banda de rock & roll (acho) mas com um “colorido” diferente. Tenho igualmente escrito bandas sonoras para o estilista Todd Lynn.

(KL):

Vou mostrar no video player do blog a tua actuação no Drum-Tech Master class (demonstração). Tenho a esperança que alguns futuris bateristas leiam esta peça. Por favor explica-lhes (e a nós também) em que consiste esta tua perfomance nestes encontros.

(GP):

As master classes que façosão simples na sua estrutura. Falo principalmente na forma como desenvolvo as minhas actuações, como treino, como ensaio e falo igualmente sobre a indústria musical. A importância de encontrares a tua própria “voz musical/criativa” é algo que procuro incutir até aos limites do que é humanamente possível. Além disso, a interpretação da forma como te aproximas do teu instrumento de eleição, terá uma importante palavra a dizer naquilo que será o teu som global, por isso, costumo frequentemente falar sobre o que eu chamo “Os segredos da interpretação básica “ por forma a ser mais agradável para a audiência pois isso é o que a música deveria ser , agradável.

(KL):

É um dia festivo no local onde vivo. Ao mesmo tempo que escrevo estas linhas há fogo de artifício lá fora. Tu prestas especial atenção a uma grande quantidade de sons durante o dia (também li essa tua entrevista). São eles assim tão importantes para a tua inspiração criativa e para o teu desempenho na bateria?

(GP):

Homem, eu ouço tanta porcaria que até é ridículo! Agora mesmo, que te estou a responder estou a ouvir Beach Boys, mas antes estava a ouvir Vertigo de Bernard Herman e outras coisas mais incluíndo Billy Joel! Tento não ser Snob no que toca à música que ouço – apesar de saber que é difícil não o ser. Boa música é sempre boa música, venha ela de onde vier e todos podemos ganhar muito em ouvir o máximo possível. Acredito firmemente todos os desafios e lutas da vida podem ter resposta com uma canção.

(KL):

Como foi a experiência com os New York Dolls? Como surgiu o convite?

(GP):

Tive a sorte suficiente para receber um telefonema do Russel Warby que era o booker deles na agência naquela altura (Agora no William Morris Group) perguntando-me se queria fazer o concerto. Eu, na altura estava de regresso a casa após mais uma sessão de gravação (Segundo album dos Libertines) e, quando recebi a chamada não pensei em mais nada até receber pelo correio música acompanhada de uma carta com o logotipo dos New York Dolls. Foi uma daquelas experiências, uma que irá comigo para a sepultura. Apenas tive um ensaio com a banda que durou cerca de 4 horas e, tudo o que fizemos foi tocar temas dos Shangri-Las. O resto do show foi preparado durante o sound check no dia do primeiro concerto. Até muito recentemente não fui colocado sobre tamanha pressão para acompanhar/preparar-me para um show (fiz 3 concertos com os Razorlight na Alemanha e na Bélgica e igualmente tive apenas um dia para preparar o concerto).

(KL):

Sendo Americano, quais são os teus pensamentos sobre a actual política dos EUA em relação à Europa e ao resto do Mundo? Obama tem dito às outras Nações que estas têm que dar um passo em frente igualmente….estás satisfeito até agora com estas recentes alterações políticas?

(GP):

Eu considero-me basicamente Inglês, tenho passaporte Inglês e frequentei a escola aqui até aos meus 15 anos. No entanto, tenho ainda muita família nos EUA de New Jersey até ao Arizona e estou em contacto permanente com eles e com a polítca Americana e, sou igualmente membro do partido Democrático em New Jersey. No que toca à minha ascendência Americana e ao posto que esta ocupa – a segunda Nação mais odiada pelos forças do mal (a primeira é o Reino Unido), o povo Americano na sua generalidade sabe o erros cometidos e estão confiantes com Obama. Claro que apenas o tempo nos dirá mas ele parace ser um homem de grande integridade e que ao mesmo tempo consegue ver mais longe que os outros – Esse é um dos argumentos para afirmar que a América é um dos parceiros e que todos têm o dever de contribuir para todos nós vivermos num Mundo melhor.





FIM